O Programa Universidade para Todos (ProUni) vai abrir inscrições para bolsas de estudo em instituições particulares de ensino superior no dia 11 de junho.

O prazo para participar da seleção vai até 14 de junho. A inscrição deverá ser feita pela internet, no site do Prouni.

As bolsas de estudo ofertadas são parciais, de 50% do valor da mensalidade, e integrais, de 100%, e são para o segundo semestre deste ano.

As bolsas integrais são destinadas a estudantes com renda familiar bruta per capita de até 1,5 salário mínimo. Já as bolsas parciais contemplaram os candidatos que têm renda familiar bruta per capita de até 3 salários mínimos.

Podem se inscrever candidatos que não tenham diploma de curso superior e que tenham participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018.

Além disso, cada estudante precisa ter cursado o ensino médio completo em escola pública ou em instituição privada como bolsista integral.

É preciso ter obtido uma nota mínima de 450 pontos na média aritmética das notas obtidas nas provas do Enem.

O cálculo é feito a partir da soma das notas das cinco provas do exame e, depois, dividindo por cinco. Outra exigência é a de que o aluno não tenha tirado zero na redação.

Também podem participar do programa estudantes com deficiência e professores da rede pública.

A divulgação do resultado da primeira chamada está prevista para 18 de junho deste ano. Já a segunda chamada será no dia 2 de julho.

O candidato pré-selecionado deverá comparecer à respectiva instituição de ensino superior para comprovação das informações no período de 18 a 28 de junho, caso tenha sido selecionado na primeira chamada e de 2 a 11 de julho na segunda.

A lista de espera, caso as vagas não sejam ocupadas, fica disponível no site para consulta pelas instituições de ensino no dia 18 de julho.

 

Agencia Brasil

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Estudo da Fundação Perdeu Abramo aponta tendência do trabalhador formal se tornar prestador de serviços em funções como motoboy e vendedor

Com o aumento do desemprego, que atingiu 12,7% no primeiro trimestre de 2019, cada vez mais trabalhadores vão para a informalidade. São mais de 30 milhões de pessoas, um em cada quatro brasileiros, trabalhando em condição precária, sem direitos, de acordo com IBGE. Pesquisa do projeto Reconexão Periferias, da Fundação Perseu Abramo, revela que, por trás do discurso do empreendedorismo individual, se agrava o antigo padrão de trabalho informal, com longas jornadas de trabalho, péssimas condições de trabalho, sem rede de proteção.

O estudo analisou seis categorias de trabalhadores informais em cinco regiões do país: motoboys ou mototaxistas, vendedores ambulantes, domésticas e manicures, construção civil e confecção. Um dos movimentos captados foi que a figura do Microempreendedor Individual (MEI), que deveria aumentar a formalização, na verdade, teve um efeito contrário.

“O que a gente consegue ver é que o MEI tem sido utilizado para substituir a carteira de trabalho. Tem sido utilizado para quem estava (contratado) via CLT, com todos os direitos trabalhistas, e agora é um MEI prestador de serviço. Continua fazendo a mesma coisa, mas sem os direitos que tinha antes”, afirma a coordenadora executiva da pesquisa, Léa Marques, ao repórter do Seu Jornal, da TVT, André Gianocari.

DIA A DIA

“Com o desemprego, vai chegando mais gente no mercado informal, mais gente querendo trabalhar. A pessoa não sabe como vai fazer. Então ele compra uma mercadoria e coloca em qualquer lugar, porque ele quer vender, quer ganhar o seu pão”, afirma o coordenador do Fórum de Ambulantes de São Paulo, Gilson Nunes.

Além da falta de direitos, esses os ambulantes ainda enfrentam o risco de terem suas mercadorias apreendidas pela polícia. “Já perdi quatro vezes o carinho. Mas a gente não pode desanimar. Eles levam, a gente compra outro carrinho e vai para a luta novamente”, diz o vendedor ambulante Thiago Barbosa.

A vendedora Margarida Veras Jorge relata a sua rotina de trabalho. Sete dias por semana, sem férias, sem décimo-terceiro. A proposta de “reforma” da Previdência do governo Bolsonaro pode prolongar a situação de maneira quase indefinida. “Se tiver chuva, venho trabalhar e abrir a banca. Se tem sol, venho trabalhar e abrir a banca. Trabalho das oito da manhã às onze da noite. É bem puxado são mais de 12 horas por dia. Se não der uma melhorada para a gente, porque está difícil, acho que vou ter que trabalhar até os 80 ou 90 anos para ter uma aposentadoria”, lamenta.

 

Portal da CUT

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“O desenvolvimento brasileiro não é compreensível sem os bancos públicos”, defendeu o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ao ministrar a palestra no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Sistema financeiro no mundo inteiro se desviou da função de financiar o desenvolvimento e passou apenas a buscar lucros. Só bancos públicos podem assumir a retomada

São Paulo – Abrir mão dos bancos públicos no país e entregá-los à iniciativa privada, como tem mostrado o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que na semana passada chegou a cogitar em uma fusão entre o Banco do Brasil e o Bank of America, é o mesmo que abrir mão do desenvolvimento brasileiro. “O desenvolvimento brasileiro não é compreensível sem os bancos públicos”, defendeu ontem (21) o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ao ministrar a palestra Bancos Públicos e o Desenvolvimento Nacional, no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Belluzzo destacou a importância do Banco do Brasil e da Caixa para setores estratégicos e a atuação dessas instituições durante a crise econômica de 2008. “No caso do Brasil, sempre os bancos privados correram atrás dos públicos quando falamos da expansão do crédito. Os bancos públicos lideravam. Vou dar um exemplo. Na crise de 2008 foi crucial o impulso dos bancos públicos – BNDES, BB e Caixa – para dar dinamismo para a economia. A economia se recuperou porque os bancos públicos foram utilizados como instrumento para a recuperação. Um exemplo é o mercado de automóveis. O mercado de carros usados paralisou. Então, para você recuperar o mercado de carros novos, você tinha que começar com o usado para dar liquidez ao mercado. Afinal, a pessoa vende seu carro usado e compra um novo. E quem financiou isso foram BNDES, Banco do Brasil, Caixa e o Banco do Nordeste.”

“Outra dimensão dos bancos públicos é a tremenda ocupação do território nacional. Se você vai lá numa cidade não sei aonde, tem lá um BB ou uma Caixa. Isso é fundamental para a cidadania”, acrescentou o economista.

Na palestra, Belluzzo fez uma retomada da importância histórica da atuação do setor público no sistema financeiro no Brasil e em outros países do mundo como, por exemplo, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.

Belluzzo: “No caso do Brasil, sempre os bancos privados correram atrás dos públicos quando falamos da expansão do crédito”

“O Banco da Inglaterra, por exemplo, teve um papel fundamental na organização da economia inglesa pré-industrial e depois muito mais na industrialização. Ele funcionava como um banco que permitiu que a riqueza fundiária, a terra, se transformasse na riqueza mobiliária. O salto para a industrialização não se faria sem o Banco da Inglaterra”, disse o economista.

Como exemplo atual de bom uso dos bancos públicos para o desenvolvimento, Belluzzo citou o caso da China.

“China é um exemplo de eficácia e boas políticas com bancos públicos. Mais de 80% do crédito na China é público. A articulação chinesa são bancos públicos, empresas públicas, cada vez mais refinadas, e impulso ao setor privado. Os chineses são muito pragmáticos. Não têm preconceitos (…). O mercado não existe na forma como o Paulo Guedes quer. O mercado é uma articulação, uma arquitetura. Os chineses aprenderam com os soviéticos que não devem ter uma economia rígida, de comando. Entenderam que é necessário uma economia flexível. Foi isso que levou a China a ter uma participação no comércio mundial igual a do Brasil em 1980 e hoje ter cinco, seis vezes mais. Se você olhar o gasto público da China, está em 20% do PIB. Não tem déficit. O que eles fizeram? Usaram os bancos públicos como ferramenta parafiscal. Um exemplo é o programa de painéis solares. Começa com uma empresa que produzia esquadrias metálicas, incluem a empresa no programa de expansão, os bancos públicos financiam e as empresas públicas compram. Esse é o maior programa de energia solar do mundo. O Brasil está na contramão disso”, explicou.

De acordo com Belluzzo, o sistema financeiro no mundo inteiro se desviou um pouco da função de financiar o desenvolvimento. “É por isso que hoje existe uma movimentação grande nos EUA e na Europa para recuperar esse papel do crédito dos bancos como instrumento de desenvolvimento. Os ingleses, com o Partido Trabalhista, têm uma proposta de um banco de investimentos público. Nós estamos na contramão. Estamos pensando em um mundo que já acabou, se é que um dia existiu.”

Estiveram na mesa a presidenta do Sindicato, Ivone Silva; a presidenta da Contraf-CUT e ex-presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira; Sérgio Takemoto, vice-presidente da Fenae e secretário de Finanças da Contraf-CUT; Leonardo Quadros, diretor administrativo financeiro da Apcef-SP; e Débora Fonseca, Conselheira de Administração Representante dos Funcionários (Caref) do Banco do Brasil.

“Esse debate sobre a importância dos bancos públicos e a sua defesa sempre fizemos no Sindicato, uma vez que os bancos públicos sempre sofrem ataques. Mas agora o ataque tem sido muito maior por um governo que não se importa nem um pouco com o bem público do país”, enfatizou Ivone Silva na abertura do evento.

 

Rede Brasil Atual

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O professorado da rede privada do Estado de São Paulo deve participar da greve geral, contra a reforma da Previdência e os ataques a direitos desfechados pelo governo. A paralisação está marcada para 14 de junho. A categoria, por meio dos Sindicatos (Sinpro) e da Federação (Fepesp), tem ampliado presença nas lutas sindicais e cidadãs.

Celso Napolitano e João Franzin no estúdio da Acesp

Segundo o professor Celso Napolitano, que preside a Fepesp e também o Diap, as entidades filiadas à Federação vão realizar assembleias nas suas bases. “A orientação é pela participação na greve geral. Mas as decisões serão tomadas pelas assembleias”, afirmou Napolitano, nesta quarta (22) ao participar do programa de TV Repórter Sindical, produzido pela Agência Sindical.

Os educadores se sentem duplamente prejudicados, explica Celso Napolitano, pelo corte de direitos contidos na PEC da reforma previdenciária e, mais recentemente, devido aos cortes nos recursos da Educação, anunciados pelo governo federal.

Dia 30 – As entidades ligadas à Fepesp apoiam a manifestação em defesa da Educação, chamada pela UNE e outras entidades para 30 de maio. A grande greve nacional da Educação, dia 15 deste mês, teve forte presença do professorado da rede privada e de suas entidades.

ASSISTA O VIDEO AQUI

 

Agencia Sindical

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De 2016 a 2018, o preço do botijão de gás aumentou 24%, passando a custar até R$ 100,00 em alguns estados. No mesmo período, três milhões de famílias trocaram o gás de cozinha por lenha, carvão e álcool

Aumentou de 11 milhões para 14 milhões o total de famílias brasileiras que passaram a usar lenha ou carvão para cozinhar nos últimos dois anos, segundo dados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-freira (22).

A crise econômica prolongada, o aumento do desemprego e a alta do preço do botijão de gás mostram que é impossível negar que o aumento do número de famílias que não conseguem mais usar o gás de cozinha (GLP) está relacionada a falta de dinheiro para comprar um botijão, seja porque estão com os salários defasados ou porque estão desempregados ou fazendo bicos para sobreviver.

De 2016 a 2018, a crise econômica se agravou e as taxas de desemprego batem sucessivos recordes – o país já tem mais de 13 milhões de desempregados. No mesmo período, os preços do botijão de gás aumentaram 24%, passando a custar até R$ 100,00 em alguns estados, o que levou mais de três milhões de famílias a trocarem o gás de cozinha por lenha, carvão e álcool.

“Esse é um claro sinal de que a economia está patinando, de que a renda das famílias está caindo e de que o povo está ficando mais pobre e, pior, correndo mais riscos até para preparar a comida da família”, diz o presidente da CUT, Vagner Freitas.

“Quando aperta no bolso, as pessoas fazem de tudo para economizar. E o governo, ao invés de abandonar a política que só atende aos interesses de quem quer privatizar a Petrobras, continua penalizando o povo com os reajustes abusivos nos preços do gás de cozinha e da gasolina”, completa.

Em sua crítica, o presidente da CUT se refere aos reajustes abusivos nos preços dos derivados do petróleo, como os combustíveis e o GLP, que começaram depois do golpe de 2016, quando o ilegítimo Michel Temer (MDB) adotou uma política para a Petrobras baseada nos preços internacionais dos barris de petróleo e na variação cambial.

Até dezembro de 2017, a Petrobras reajustava os preços do GLP mensalmente. A partir de janeiro de 2018, quando os valores já haviam explodido, os preços passaram a ser reajustados trimestralmente. O último reajuste foi anunciado na primeira semana de maio e foi de 3,4%.

Um ano depois que a política de preços de Temer entrou em vigor, os hospitais especializados alertaram que estava aumentando o número de pessoas queimadas por uso de lenha, carvão e álcool para cozinhar no dia a dia, não apenas para fazer churrasco no fim de semana. A situação não melhorou desde então.

O Nordeste, onde tem mais acidentes, concentra 35% ou 4,8 milhões de famílias que passaram a usar lenha ou carvão. No Sudeste, onde o salto foi o maior entre todas as regiões, no ano passado havia 2,9 milhões de famílias preparando alimentos dessa forma.

 

Portal da CUT

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Diante da negativa patronal em negociar com seriedade, fomos a dissídio. Serão dois dissídios e o primeiro já tem data marcada para a audiência.

A audiência de instrução e conciliação do Dissídio Coletivo dos Sinpros Guarulhos, Santos, São José do Rio Preto e São Paulo foi designada para a quarta-feira, 29/05 , às 14h, no Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo (Rua da Consolação, 1272).

TRT-SP: audiência de nosso primeiro dissídio na campanha salarial 2019 marcada para 29/05, 14 h

Este dissídio foi motivado porque as negociações ficaram comprometidas depois que o Sieeesp passou a insistir numa proposta que há havia sido recusada pelos professores em duas assembleias.

A contraproposta patronal divide o recesso em dois (25 e 5 dias), aumenta a carência de 22 para 26 meses para ter direito à Garantia Semestral de Salários. Além disso, altera a cláusula de estabilidade na pré-aposentadoria para obrigar o professor a avisar a escola quando sua aposentadoria for concedida, facilitando a vida do patrão caso seja aprovada, na PEC 06/2019 (reforma da Previdência), a extinção do depósito de FGTS e a multa demissional de 40% para quem se aposentar e continuar lecionando.

Alegando que outras duas federações – a Fetee e a Fepae (que representam menos de 15% dos professores no Estado) – assinaram Convenção com esse conteúdo, o Sieeesp não abre mão da proposta que, como dissemos, já foi amplamente rejeitada pelas assembleias de professores.

O sindicato patronal voltou atrás até mesmo de uma outra contraproposta – de Convenção por um ano, com manutenção de todos os direitos – que tinha sido aceita por outros 20 sindicatos no interior do Estado.

Um segundo pedido de dissídio – Outros vinte sindicatos integrantes da Fepesp também preparam pedidos de dissídio coletivo. Esses vinte sindicatos haviam aprovado a proposta de acordo por um ano formulada oficialmente pelo Sieeesp que, inexplicavelmente, negou-se a assinar os acordos. A alegação do Sieeesp, de que não havia apresentado proposta de acordo por um ano, é falsa, está documentada e foi desmentida em nota pública assinada pelo conjunto de Sinpros integrantes da Fepesp (veja nota completa abaixo).

Este segundo pedido de dissídio está em fase de juntada de documentos e deverá ser apresentado nos próximos dias ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região (Campinas), que atende as bases onde a maioria destes 20 sindicatos tem atuação.

Sindicatos de professores que aprovaram a proposta de acordo por um ano em suas assembleias – que o Sieeesp se recusa a assinar por uma questão de má-fe, simplesmente – e que entrarão no segundo pedido de dissídio desta campanha salarial 2019 na Educação Básica: Sinpro ABC, Sinpro Araçatuba, Sinpro Bauru, Sinpro Campinas, Sintee Franca, Sinpro Guapira, Sinpro Jacareí, Sinpro Jaú, Sinpro Jundiaí, Sintee Lins, Sinpro Osasco, Sintraensino Ourinhos, Sintee Presidente Prudente, Sinpaae Ribeirão Preto, Sinpro São Carlos, Sinpro Sorocaba, Sinpro Taubaté, Sinpro Unicidades, Sinprovales e Sinpro Valinhos.

Auxiliares, acordo assinado – Apenas um dos 25 sindicatos integrantes da Fepesp não entrará em dissidio algum: o SAAE Rio Preto, de São José do Rio Preto, que representa exclusivamente auxiliares de administração escolar,  já assinou convenção coletiva por dois anos para a sua base.

Explicação: dos 25 sindicatos integrantes da Fepesp, 16 representam exclusivamente professores, oito representam os professores e auxiliares em suas bases e um – o SAAE Rio Preto – representa exclusivamente auxiliares.

Assim, os sindicatos Sintee Franca, Sintee Lins, Sintraensino Ourinhos, Sintee Presidente Prudente, Sinpaee Ribeirão Preto, e dos Sinpros de Araçatuba, São Carlos e Leme (Unicidades) entrarão no segundo pedido de dissídio para Professores mas – importante! – já firmaram acordo para a Convenção Coletiva de Trabalho de Auxiliares de administração escolar, que está em fase de assinatura e publicação.

Histórico: o dissídio de  Guarulhos, Santos, São José do Rio Preto e São Paulo

Os sindicatos de professores de Guarulhos, Santos, São José do Rio Preto e São Paulo deram entrada na quinta-feira, 09/05, a pedido de dissídio coletivo sobre a Campanha Salarial 2019, para a renovação de suas convenções coletivas de trabalho.

Procolo do primeiro processo de dissídio: TRT 2ª região.

Esses quatro sindicatos, entre os 25 sindicatos integrantes da Fepesp, não aprovaram em suas assembleias nenhuma das duas propostas apresentadas pelo grupo patronal. O Sieeesp, que representa os estabelecimentos de ensino na rede privada do Estado de São Paulo, assumiu posição intransigente e negou-se a voltar a negociar, procurando impor uma proposta não construída na mesa de negociações.

O dissídio foi impetrado no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª região (São Paulo, Capital).

Educação Básica: a verdade verdadeira sobre a negociação e as propostas

Na segunda-feira, dia 6, os sindicatos integrantes da Fepesp lançaram nota pública contestando a afirmação patronal de que não teria recuado de suas propostas. O sindicato patronal divulgou nota – incorreta! – em seu site negando seu recuo – comprovado! – nas propostas negociadas e aprovadas em assembleias de professores em todo o Estado. Como mentira tem perna curta, aqui está a verdade dos fatos – sustentados em farta documentação oficial.

Aqui, a nota acima em formato PDF:
NOTA PDF

 

A nota patronal do Sieeesp (veja aqui) que tenta negar ter recuado de propostas negociadas – mas que estão documentadas e representam a verdade na negociação dos sindicatos integrantes da Fepesp nesta Campanha Salarial 2019 da Educação Básica.

 

FEPESP

 

 

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CUT e demais centrais sindicais mostraram ao relator da reforma da Previdência que os pobres serão os mais prejudicados. Samuel Moreira prometeu mudanças em seu relatório porque proposta do governo não passa

Manifestantes lotaram a Esplanada, em Brasília, contra a reforma e o corte na educação

A CUT e mais cinco centrais sindicais estiveram reunidas nesta tarde de terça-feira (21), com o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB), em Brasília, para levar as reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras, contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº006), apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

As centrais apontaram diversos problemas na reforma, que acaba tirando direitos dos mais pobres, como o fim do pagamento do PIS para quem ganha mais de um salário mínimo (se for aprovada pelo Congresso Nacional, mais de 21 milhões de pessoas deixarão de receber o PIS); as mudanças na aposentadoria rural, no Benefício de Prestação Continuada (BPC) , na mudança para o regime de capitalização e na imposição de idade mínima para a aposentadoria, de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres, entre outros itens.

Segundo o secretário Nacional de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle, o deputado Samuel Moreira, disse que seu relatório trará mudanças na proposta do governo, pois como está, a reforma da Previdência não passa. Moreira, no entanto, não especificou quais as mudanças que fará em seu relatório.

“O deputado disse apenas que pretende proteger os que ganham menos e mudar o regime de transição, mas não falou como. Por enquanto, o relatório ainda é uma incógnita”, conta.

O secretário da CUT lembrou ao relator da PEC 006, que as centrais são contrárias à reforma da Previdência, e que os sindicatos estão lutando nas ruas com campanhas, coletando assinaturas e que farão uma greve geral no próximo dia 14 de junho

“Nós também mostramos ao deputado que há outras formas de arrecadação mais justa que pode ser conseguida com uma reforma Tributária e,que não é possível penalizar os mais pobres”, contou Valeir.

Segundo o dirigente da CUT, embora o relator da reforma da Previdência não tenha especificado quais os pontos de seu relatório que pretende alterar, a  reunião revelou,  que “se aumentarmos a pressão temos condições impedir esta atrocidade contra o povo brasileiro”.

 

Portal da CUT

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O docente foi denunciado por um pai de aluno e a Secretaria de Educação de Itapema decidiu por desligá-lo da escola

O professor de educação física Willian Meister foi demitido da escola Escola Municipal de Educação Básica Oswaldo dos Reis, de Itapema, Santa Catarina, após trabalhar um texto poético sobre o período da ditadura militar com seus estudantes.

O caso aconteceu próximo ao 1 de abril, data que este ano marcou os 55 anos do golpe militar ocorrido em 1964, e levou à instauração da ditadura. O professor reservou parte de algumas aulas para ler e debater com as turmas do sétimo e nono anos o texto “Canção para Paulo (A Stuart Angel)”, de Alex Polari, que narra a tortura sofrida por Stuart, filho da estilista Zuzu Angel, morto durante o período ditatorial. O professor explicou que a atividade de leitura era prevista no cronograma escolar.

“Na introdução da aula, eu falei um pouco sobre a ditadura, os impactos que o movimento teve na reformulação da educação e também da Educação Física, que se tornou desportivista no período, ou seja, serviu aos militares como uma ferramenta  de contenção dos corpos, de aplicação de uma moral comportamental”, explicou o docente. Ele garante que a atividade rendeu a participação e debate dos estudantes e que a escola tinha conhecimento sobre o material utilizado.

Dias após a atividade, o professor foi advertido pela diretor da escola, Emílio César da Silva, que também é presidente do Conselho Municipal de Educação de Itapema. A justificativa para a advertência foi o que pai de um dos estudantes do sétimo ano procurou o gabinete da prefeita Nilza Simas (PSD) para reclamar do texto utilizado, por ‘ser pesado e conter palavrões’. O familiar foi encaminhado à Secretaria de Educação, que, por sua vez, cobrou que a escola chamasse o professor para uma conversa, e  emitisse um relatório para ser entregue ao reclamante.

Meister conta que, diante a situação, conversou novamente com os estudantes. “Narrei o que estava acontecendo e disse que estava aberto ao diálogo, que caso algum deles ou familiar quisessem conversar sobre o meu trabalho, era só me procurar. Entendo que não houve uma ilegalidade, um questionamento técnico pedagógico sobre a minha prática, mas uma crítica, e ela poderia ser feita diretamente a mim”, contou o professor.

Após a atitude, no entanto, a situação se agravou. Admitido em caráter temporário pela rede, Meister não teve o seu contrato renovado no fim do mês de abril, situação que, segundo ele, foi anunciada pelo diretor da seguinte forma: “procure o RH da prefeitura, seu contrato não será renovado e você não trabalha mais aqui”.

Discordância política ideológica

Segundo o professor, o caso acerca do texto não foi o único enfrentado por ele na escola, que garante ter sofrido perseguição política ideológica e ter sido visto como adversário político dentro da instituição – em 2016, Meister se candidatou a prefeito de Itapema pelo PSOL e fez oposição à chapa da atual prefeita, apoiadora de Bolsonaro.

O professor entrou com uma representação no Ministério Público, que prevê crime de improbidade administrativa, devido a um esforço burocrático por parte da gestão escolar de afastar o professor da instituição – a escola produziu registros de outras práticas do professor, sem que ele tivesse conhecimento. A ação também alega ofensa ao princípios da legalidade e impessoalidade, além de assédio moral.

Professor foi demitido da Escola Municipal de Educação Básica Oswaldo dos Reis

A defesa reitera o pedido para que o Ministério Público de Santa Catarina abra um inquérito civil para analisar a conduta dos envolvidos no caso e para que o professor seja reinserido no serviço público.

“Quero voltar a trabalhar em sala de aula por uma questão de dignidade, do meu compromisso social e profissional. Sou vítima de uma injustiça, de uma ilegalidade. Sobretudo nesses tempos de ataque a educação, é importante registrar esse ato de resistência como professor, com relação a arbitrariedade, autoritarismo e censura. É fundamental que os professores denunciem situações como essa. Não vão destruir a educação crítica do Brasil por uma perspectiva politica ideológica”, criticou.

Repúdio

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) publicou uma nota de repúdio no dia 14 de maio em relação á demissão sumária do professor, “ato que representou o ápice de um movimento intenso de perseguição política e ideológica“, grafou.

O texto coloca que, casos como este, “ficam, infelizmente, cada vez mais comuns e corriqueiros nos tempos em que vivemos, forjando um caldo de perseguição política e ideológica dentro das escolas brasileiras”.

“Estamos todos/as atentos/as aos desdobramentos desse caso e não nos furtaremos em reverberar nacional e internacionalmente essa atitude vergonhosa de gestores públicos de um município que não honram a área que deveriam gerir. Essa espécie de gente, que não entende nada de educação, não deveria assumir funções dessa natureza e lutaremos para que nunca mais o faça”, finaliza a nota.

A reportagem procurou a Secretaria de Educação de Itapema para comentar o caso, mas não recebeu respostas até o fechamento da reportagem.

 

Carta Educação

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Clima de perseguição estimulado por Bolsonaro e Escola sem Partido geram ambiente de permanente tensão, relatam profissionais de centros públicos e privados de São Paulo

Nunca foi fácil ser professor de escola no Brasil. Paga-se pouco, as jornadas de trabalho são longas, os recursos pedagógicos são escassos e, como se não bastasse, há alunos que recorrem à violência física ou verbal. A essa rotina, desde sempre estressante e mentalmente desgastante, se soma mais recentemente um novo elemento: o ambiente de ódio político no país e a patrulha ideológica promovida pela extrema direita dentro das salas de aula. “Parece que vivemos em um mundo do [escritor] George Orwell em que você é vigiado constantemente, o que nos deixa em uma situação de muita tensão. A gente sente certa hostilidade”, resume Antônio*, professor de Português do Ensino Médio em uma escola estadual paulista e do 6º ano do Ensino Fundamental II em um colégio municipal da capital. “Preciso repensar toda a aula, tomar mais cuidado com os caminhos que vou tomar”.

Manifestantes a favor do projeto de lei sobre a Escola sem Partido protestam na Câmara. Marcelo Camargo Agência Brasil

A educação vem sendo transformada numa das principais trincheiras da guerra ideológica e cultural travada no país há cerca de três anos, quando o projeto Escola sem Partido, que prega o fim de uma suposta “doutrinação” de esquerda dentro dos centros de ensino, passou a conquistar corações e mentes e a tramitar em legislativos municipais, estaduais e federal. Com a acirrada disputada eleitoral no ano passado e a ascensão de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, o ambiente escolar, já tenso, se deteriorou ainda mais em lugares como São Paulo. Mesmo sem constar na lei, o Escola sem Partido é uma diretriz da atual gestão federal e do Ministério da Educação. Seus apoiadores também formam uma extensa rede de deputados, influenciadores digitais e grupos (como o Movimento Brasil Livre) que estimulam, por exemplo, que alunos filmem e denunciem seus professores. No dia 28 de abril, o próprio presidente Bolsonaro compartilhou um vídeo que expõe uma professora chamando o escritor Olavo de Carvalho, guru do presidente, de “anta“ por “meter o pau em tudo”. “Professor tem que ensinar, e não doutrinar”, escreveu o mandatário em seu Twitter, em um gesto que propaga o clima de perseguição no país. “A desvalorização social de nosso trabalho já é antiga, mas essa perseguição e esse ódio são, de fato, mais recentes. Sempre houve conflito entre alunos e professores, mas a novidade é que isso se transformou em perseguição e violência, institucionalizadas pelo presidente e pelo ministro da Educação“, argumenta a professora de Geografia Silvia Barbara, diretora do Sindicato de Professores de São Paulo (Sinpro).

Não existem dados oficiais que retratem essa recente deterioração da saúde dos professores ou essas tensões que acontecem em sala de aula. Porém, uma pesquisa feita pela Associação Nova Escola com 5.000 educadores entre junho e julho de 2018 mostra que 66% deles já precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde. As cifras dão dimensão do ambiente no qual estão inseridos: 68% sofrem de ansiedade, 63% relatam estresse e dores de cabeça, 39% têm insônia, 38% possuem dores nos ombros e alergias e 28% apresentam ou apresentaram quadro de depressão. Além disso, 87% acreditam que o problema é ocasionado ou intensificado pelo trabalho. No ano passado, o Brasil já ocupava o último lugar num ranking internacional que mediu a valorização do professor em 35 países.

O EL PAÍS conversou com uma dezena de professores das redes pública e privada de São Paulo sob a condição de anonimato e de que não fossem revelados o lugar em que trabalham, já que temem ser demitidos ou perder outras oportunidades. Todos eles relataram um maior esgotamento mental desde as últimas eleições e apontaram para uma falta de perspectiva. Alguns já admitem a possibilidade de mudar de ocupação. “Pretendo continuar na área de Educação, mas agora como consultor e analista. Depois de cinco anos onde estou, acumulei uma série de desgastes pela forma como a escola lida com os pais e com os conteúdos. Depois de meu último desentendimento com a direção, decidi sair”, explica André*, professor de História de uma rede privada com várias unidades na capital paulista.

As tensões sempre existiram na hora de abordar temas como a origem das religiões, sobretudo em uma comunidade majoritariamente evangélica que não aceita, por exemplo, discutir preconceito contra religiões de matriz africana. “A resistência vem dos próprios alunos, já que seus pais falam que o professor de História é um socialista que só fala besteira e que não é para escutá-lo”. Explicar a história da Revolução Russa para o 9º ano também trouxe outros problemas. “Os alunos já vieram preparados para refutar qualquer tipo de argumentação ou afirmar que eu estava defendendo algum viés político. Eu não conseguia nem construir a narrativa histórica, eles já estavam cheios de armadilhas e questionamentos, criando uma série de situações”, conta. Por causa dessas aulas, o pai de um dos estudantes acusou-o de estar tentando doutrinar seus filhos. A situação mais grave não aconteceu com ele, mas sim com uma professora homossexual que foi usada como exemplo por uma aluna na hora de se assumir para sua família. “Essa colega acabou afastada da turma e viu sua grade ser reduzida drasticamente. Ficou insustentável e ela teve de deixar a escola”.

Embates com as famílias, que hoje em dia se comunicam entre si em grupos de WhatApp, também se tornaram mais frequentes. Em uma ocasião, Pedro*, que dá aula de inglês e literatura em duas escolas particulares, teve de enfrentar em uma delas um pai que estava exaltado. Dizendo-se representante de outras famílias, acusava os professores de estar falando mal de Bolsonaro e garantia que outros pais queriam aparecer armados no colégio. Aconteceu logo depois do primeiro turno das eleições. “Eu cheguei e os alunos estavam muito agitados e muito felizes, cantando a vitória. Eu tentava começar a aula e eles não deixavam. Tentei conversar e argumentar de que vivemos num país democrático, mas eles gritavam que queriam ditadura”, conta ele. “Nesse contexto, tentei perguntar se eles sabiam o que estavam falando. E eles gritavam mais. Qualquer coisa que eu dizia eles rebatiam com ‘ah, seu comunista!’. Tive que pedir para aluno sair de aula, e mesmo assim tendo o maior cuidado de que não falassem que tirei por questões políticas”. A mesma situação ocorrera em outras salas de aula, despertando a ira de familiares.

Há resultados práticos dessa patrulha ideológica que vão além do desgaste mental. Um deles é que a própria direção da escola emitiu uma ordem no ano passado pedindo para que assuntos políticos não fossem abordados com os alunos. Outro é que Pedro decidiu diminuir sua grade horária por causa da “quantidade de abusos”, limitando-se a dar aula apenas para o Ensino Médio. Além disso, já não se aprofunda em determinados temas e ensina apenas gramática. “É muito difícil controlar o celular, sempre ficamos na dúvida se estão filmando. Eles tiram foto da lousa, e isso gera muita insegurança”, explica.

A autocensura também virou regra, como também afirma o professor de Física João*. “Eu trazia para a sala de aula questões como as mulheres na ciência, que modelo Einstein defendia para a sociedade… E isso desagradava os pais”, conta. Ele também propunha e participava de projetos interdisciplinares com seus colegas. “Neste ano decidi não me envolver em nenhum”.

“Maior isolamento dos professores”

A psicóloga Renata Paparelli, professora da PUC-SP, atende educadores na Clínica do Trabalho da universidade, sobretudo os da rede municipal — mas também alguns da rede privada —, e estuda os transtornos relacionados à carreira docente. Em escolas particulares, alunos e pais muitas vezes buscam ser tratados como clientes e exigem que suas vontades sejam atendidas, inclusive que conteúdos sejam tirados das apostilas. “Escuto muitas queixas sobre a perda de autonomia pedagógica e a interferência da direção e dos pais”, conta. Já na rede pública, ressalta, a violência sempre fez parte da rotina do professor. “Todo esse estímulo ao não-diálogo e essa desvalorização do conhecimento promovida pelas autoridades têm incrementado essa violência”, garante. Ela também fala de um maior “isolamento” dos professores, o que “impede a construção de projetos coletivos” e estimula a desistência de muitos deles. Há também aqueles que “apelam para as práticas quixotescas e vão sozinhos contra tudo e todos, mas acabam esgotados”.

Antônio*, o professor de português das redes estadual e municipal de São Paulo, afirma que “a vantagem e a desvantagem do setor público é que não há controle rígido por parte da gestão da escola”. Isto é, “são ambientes muito maiores, com dezenas de salas e professores. É mais estressante por outras questões”. Ainda assim, embates com alunos fazem parte do cotidiano. “Tento conduzir para uma discussão mais saudável. Quando você coloca questões ao invés de afirmações, o debate se estabiliza. Para o Ensino Médio tento levar mais reflexões, mas tenho muito cuidado. Já no Ensino Fundamental os alunos trazem muitas coisas que aprendem dentro de casa”, explica.

“Eu tenho liberdade de cátedra e continuo trabalhando com feminismo, questões LGBT e raciais… Ainda não repensei minha abordagem”, conta Giovana*, professora concursada de uma escola estadual no extremo sul de São Paulo. Contudo, as tensões com a comunidade local, bastante religiosa, e os atritos com professores conservadores estão mais frequentes — algo também identificado por Paparelli em suas consultas. “Já tive medo da minha lousa. Eu nunca apago quando acaba a aula, deixo sempre ali. Mas sabe quando você fica com medo de registro?”, afirma.

Giovana trabalha em uma escola pequena. Acompanha seus alunos do 3º ano do Ensino Médio desde a antiga 5ª série do Ensino Fundamental. “Temos muito cuidado com formação, mas não sei se vou conseguir continuar fazendo esse trabalho. A gente faz um planejamento anual, mas já não temos perspectiva. Verbas são cortadas, matérias são tiradas… A impressão é que querem que os alunos sejam apenas o chão de fábrica”, destaca. “Mais do que estresse, existe uma insegurança”, acrescenta ela, que começou a fazer terapia depois das eleições e já começa a pensar em outras alternativas.

*Nome fictício para preservar a identidade do professor ou professora.

 

EL País

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Jair Bolsonaro distribuiu na manhã desta sexta-feira (17) em diversos grupos de WhatsApp um texto enigmático de “autor desconhecido” que aborda as dificuldades que ele estaria enfrentando para governar e ataca instituições como o Congresso Nacional e o STF.

O fato não deixa de ser bizarro, mas preocupa ao lembrar o gesto tresloucado do ex-presidente Jânio Quadros, cujo desfecho foi sua renúncia em 1961 mas que na verdade teve o objetivo frustrado, embora nunca confessado, de abrir caminho para um golpe de Estado com apoio popular, que todavia não se materializou.

Em Dallas, ao atualizar bordão, o capitão colocou os EUA acima de tudo e de todos. Inclusive Deus?

O texto diz que o presidente está sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os poderes e afirma que o País “está disfuncional”, não por culpa de Bolsonaro, mas que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”.

Procurado pelo jornal Estado de São Paulo para comentar sobre a mensagem, o presidente respondeu por meio do porta-voz: “Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o país de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!” (…)

Interlocutores do presidente ouvidos pelo jornal dizem não saber quantas pessoas receberam a mensagem, mas relatam pedido do presidente para que cada um replicasse o conteúdo. Bolsonaro, de acordo com um dos interlocutores, já começou a receber feedbacks, dizendo que ele “está falando a mais pura verdade”. No entanto, fontes ouvidas pelo Estado consideram o desabado reproduzido como “muito grave” e “preocupante”.

Uma das fontes chegou a lembrar que o presidente está se deixando tomar pelas “teorias de conspiração”, que dominam os discursos em sua família e que, ao endossar o texto, ele pode provocar sim o que chamou de tsunami, na semana passada, e avisou que estava por vir. (…)

Eis a coisa na íntegra:

“TEXTO APAVORANTE – LEITURA OBRIGATÓRIA

Alexandre Szn

Temos muito para agradecer a Bolsonaro.

Bastaram 5 meses de um governo atípico, “sem jeito” com o congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda ou de direita.

Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal “presidencialismo de coalizão”, o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público.

Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário.

Todos nós sabíamos disso, mas queríamos acreditar que era só um efeito de determinado governo corrupto ou cooptado. Na próxima eleição, tudo poderia mudar. Infelizmente não era isso, não era pontual. Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável.

Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto.

Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Corremos o risco de uma MP caducar e o Brasil ser OBRIGADO a ter 29 ministérios e voltar para a estrutura do Temer.

Isso é do interesse de quem? Qual é o propósito de o congresso ter que aprovar a estrutura do executivo, que é exclusivamente do interesse operacional deste último, além de ser promessa de campanha?

Querem, na verdade, é manter nichos de controle sobre o orçamento para indicar os ministros que vão permitir sangrar estes recursos para objetivos não republicanos. Historinha com mais de 500 anos por aqui.

Que poder, de fato, tem o presidente do Brasil? Até o momento, como todas as suas ações foram ou serão questionadas no congresso e na justiça, apostaria que o presidente não serve para NADA, exceto para organizar o governo no interesse das corporações. Fora isso, não governa.

Se não negocia com o congresso, é amador e não sabe fazer política. Se negocia, sucumbiu à velha política. O que resta, se 100% dos caminhos estão errados na visão dos “ana(lfabe)listas políticos”?

A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para continuarem mantendo seus privilégios.

O moribundo-Brasil será mantido vivo por aparelhos para que os privilegiados continuem mamando. É fato inegável. Está assim há 519 anos, morto, mas procriando. Foi assim, provavelmente continuará assim.

Antes de Bolsonaro vivíamos em um cativeiro, sequestrados pelas corporações, mas tínhamos a falsa impressão de que nossos representantes eleitos tinham efetivo poder de apresentar suas agendas.

Era falso, FHC foi reeleito prometendo segurar o dólar e soltou-o 2 meses depois, Lula foi eleito criticando a política de FHC e nomeou um presidente do Bank Boston, fez reforma da previdência e aumentou os juros, Dilma foi eleita criticando o neoliberalismo e indicou Joaquim Levy. Tudo para manter o cadáver procriando por múltiplos de 4 anos.

Agora, como a agenda de Bolsonaro não é do interesse de praticamente NENHUMA corporação (pelo jeito nem dos militares), o sequestro fica mais evidente e o cárcere começa a se mostrar sufocante.

Na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações. Que sempre venceram. Daremos adeus Moro, Mansueto e Guedes. Estão atrapalhando as corporações, não terão lugar por muito tempo.

Na pior hipótese ficamos ingovernáveis e os agentes econômicos, internos e externos, desistem do Brasil. Teremos um orçamento destruído, aumentando o desemprego, a inflação e com calotes generalizados. Perfeitamente plausível. Claramente possível.

A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível. É o Brasil sendo zerado, sem direito para ninguém e sem dinheiro para nada. Não se sabe como será reconstruído. Não é impossível, basta olhar para a Argentina e para a Venezuela. A economia destes países não é funcional. Podemos chegar lá, está longe de ser impossível.

Agradeçamos a Bolsonaro, pois em menos de 5 meses provou de forma inequívoca que o Brasil só é governável se atender o interesse das corporações. Nunca será governável para atender ao interesse dos eleitores. Quaisquer eleitores. Tenho certeza que esquerdistas não votaram em Dilma para Joaquim Levy ser indicado ministro. Foi o que aconteceu, pois precisavam manter o cadáver Brasil procriando. Sem controle do orçamento, as corporações morrem.

O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou. Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso.

Infelizmente o diagnóstico racional é claro: “Sell”.

Autor desconhecido”.

 

Portal CTB

 

 

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