A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Conte se une ao Sindicato dos Professores de Itajaí e Região — Sinpro no repúdio à demissão por suposta justa causa de três professores, incluindo a professora doutora Cássia Ferri, pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Juntamente com o sindicato, a Contee apresentará denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a prática antissindical e a violação dos valores sociais do trabalho por parte da atual gestão da Univali, que tenta calar as vozes adversárias, haja visto ter sido Cássia candidata à reitoria da universidade nas últimas eleições, enfrentando o reitor eleito, Valdir Cechinel Filho.

Entre os pretensos argumentos da administração da Univali para as demissões está o de que os três professores seriam responsáveis pela atual crise financeira da instituição. Na notificação de rescisão de contrato por justa causa recebida por Cássia Ferri, que ela, corretamente, recusou-se a assinar, a coordenadora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, Valéria Silva Ferreira, acusa Cássia de omissão, desídia e mau procedimento como dirigente estatutária da Fundação Univali frente ao iminente colapso econômico-financeiro da universidade. Há que se lembrar, contudo, que o próprio atual reitor ocupava o cargo de vice-reitor de Pesquisa e Extensão, à frente do qual ficou por quatro gestões, ou seja, 16 anos. Nesse cargo, era responsável por definir e aprovar a carga-horária de docentes para as atividades de pesquisa, extensão e pós-graduação, principalmente stricto sensu, além de participar da aprovação dos projetos de investimentos em suas áreas e autorizar, via sistema de compras, as aquisições de sua vice-reitoria.

Além dele, Carlos Alberto Tomelim, atual vice-reitor de Graduação e Desenvolvimento Institucional, foi vice-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional e tesoureiro da Fundação Univali, respondendo pelas áreas de planejamento, orçamento, marketing, projetos de investimentos e planejamento de obras. Tomelim tinha acesso aos dados da Univali e suas mantidas via sistemas BI — Business Inteligence e de planejamento e era um dos aprovadores de todos os projetos de investimento e infraestrutura, bem como de todos os gastos de marketing e comunicação, e o responsável pela captação de alunos para todos os níveis de ensino da Univali. Também assinava conjuntamente com outro procurador a movimentação financeira da universidade. Por sua vez, José Roberto Provesi era diretor de inovação, responsável pelas incubadoras e representante da Univali no Centro de Inovação de Itajaí e do InovAmfri (projeto de empoderamento regional da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí). Da mesma forma, o então coordenador de filantropia Rodrigo de Carvalho, atual procurador-geral da Univali, respondia pelos relatórios de projetos filantrópicos e advogava pela Univali em alguns processos ligados à área tributária e de filantropia, prestando contas diretamente ao reitor. Já a atual secretária executiva da Fundação Univali, Luciana Merlin Bervian, era diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas — cargo que mantém —, o qual teve a maior queda do número de alunos e de receita, tendo passado por ajustes na carga horária no ano passado.

A permanência de tantos nomes ligados à administração anterior evidencia a perseguição política por trás da demissão de Cássia Ferri e dos demais professores. Perseguição que tanto a Contee quanto o Sinpro Itajaí e Região já haviam apontado no mês passado, ao comentar o atraso salarial na universidade. Na ocasião, a Confederação e o sindicato desmontaram a tentativa da gestão atual de “lavar as mãos”, atribuindo a responsabilidade à administração anterior, lembrando justamente que os membros desta gestão faziam parte da que a antecedeu. É grave perceber que a perseguição e as acusações vêm juntas com um olhar mercantil sobre a Univali, que descaracteriza completamente seu papel como instituição comunitária.

A Contee e o Sinpro Itajaí e Região reafirmam sua defesa incondicional da garantia dos direitos e da representação dos trabalhadores atingidos pelas demissões, bem como deixam claro seu total repúdio pela decisão unilateral incompatível com uma universidade comunitária. As entidades usarão todos os expedientes jurídicos cabíveis para anular as demissões ocorridas, bem como as reduções de cargas horárias, entre outras formas de perseguição que têm sido enfrentadas pelos trabalhadores.

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee
Sindicato dos Professores de Itajaí e Região — Sinpro

Assista o programa com a participação do Sinpro Itajaí e Região:

Leia as notas de repúdio das entidades:

Anpae

CNTE

Sinte-SC